segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

QUANDO OS MINUTOS VIRAM UMA ETERNIDADE

De calçada em calçada, olhando para o chão a procura de alguns trocados penso nos dias tristes de zonzeiras e sonhos. Na mão cinco moedas de centavos, e pela frente uma caminhada de vinte e cinco minutos que mais pareciam três horas. O destino era péssimo pela fraqueza que sentia e importante pela necessidade que me apontava, o movimento da avenida que seguia estava cheia de pessoas bem sucedidas, que belo dia.
Quando entrei e pousei minhas mãos na prateleira, me vi com uma arma na mão desfilando perfeitamente com o meu carrinho lotado de mercadorias deliciosas (desculpe, foram momentos de desequilíbrio mental como se estivesse sonhando acordada) e ao olhar novamente para o mesmo ponto na qual fitavam os meus olhos fundos e cheios de raiva súbita percebi que não havia tempo para tais alucinações. Tive a sensação de estar flutuando, este foi o meu pior pesadelo, enquanto seguia o corredor sentido a padaria. 
Ao chegar no local desejado disse:
- O que setenta centavos me permitem sorrindo?
A atendente com um cansaço eminente logo pela manhã sorriu com muito esforço e com a mão na barriga acariciando o seu ente querido me respondeu:
- Um brinde fora da balança, pode ser? (isto quer dizer, um pão de graça).
Envergonhada respondi que sim através do movimento tímido com a cabeça, a cumplicidade ao deparar-se com tormentos semelhantes me confortou, não estou só, entretanto, isto não é normal. Direcionando-me ao caixa, quase surto, uma fila enorme de famintos. Tais estes que classifiquei da seguinte forma:famintos por gastos, famintos por bem-estar, famintos por rotina, famintos por fome.
Passaram-se quinze minutos e finalmente fui atendida, mas como esperava ansiosa o meu lugar ao sol (já que muitos me esperavam em casa) acabei derrubando três moedas no chão. A decepção dos apressados que aguardavam na fila superou a minha indignação de toda manhã. Era possível prever a senhora agarrando minhas orelhas para que efetuasse a tão sonhada compra, “retire-se daqui menina atrapalhada, pois preciso ir ao salão tenho cabelo marcado às 10:00hrs”...de toda irritação prévia da adolescência naquele momento queria mandar um foda-se para todos. Sai do mercado. Mais uma etapa desesperadora, avisto aquele morro do inferno acompanhado de um sol ardente pedindo banho de mangueira por 10 minutos, maldita “Henrique Eroles”, pensei alto. No percurso do último quarteirão, beirando a avenida, não pude deixar de reconhecê-la a minha espera, a cada passo a longínqua calçada se tornava mais distante,imaginei uma esteira rolante na qual me aconchegava sentada observando a pracinha pitoresca do lado direito e a barulheira cheia de carros do lado esquerdo, outro sonho e risos estreitos. 
- Mãe! (Gritei). Quase não aguentei esta subida, vamos tomar um café!?

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