segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Santo remédio



Todo final de tarde, ela senta na calçada e espera.

 Espera como um cão quando está com fome.

 Espera ridiculamente sem graça com todos os seus atributos desejáveis.

 Finalmente, se depara com o hospedeiro.

Este sai, cansado da labuta e seus causos sem sucesso.

Ela pula indiscretamente em comemoração a tão chegada hora.

Num flerte tosco, insiste numa reciprocidade,

luta contra a natureza de invadir.

Notória paciência é levada até o local residente do hospedeiro.

Este se entrega a um sofá e solta lamúrias, um saco.

Momento fatigante.
É hora de acabar logo com isto...

Pelos olhos,
Pela mente,
Pela boca,
Pelo corpo todo.
A invasão foi pura Arte.

E o hospedeiro? 

- Grudado com ela, virou gente!


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sábado de Aleluia


 


Em quase dez minutos esperando o semáforo mudar de cor, vi um acidente. Duas pombas se engalfinhavam, enquanto voavam baixo, com aquele peso gerado por migalhas e restos de alimentos suspeitos. Sim, também vi pedestres atravessando a via, enquanto eu paralisado com as cores que não repetiam a sua sequencia. Era sábado progresso. Era dia de fluxo. Era dia de motoqueiro ainda fazer corredor. Era dia de ficar em casa pra fazer faxina. Era dia de correr e não parar por dez minutos com detalhes convencionais sem importância. Foi aí que cheguei em outra calçada e parei por mais um tantinho de tempo. Vi uma chuva de folhas...Era dia de se perder. Era dia de ler na praça. Era dia de pagar um sorvete pra criança. Era dia de gelada no bar.  Era dia de enxergar.E ainda tinha tempo.