terça-feira, 5 de maio de 2015

Rogai por nós


As tardes mais divertidas da infância. 
A mão aberta e o polegar que puxa o sinal da cruz  
(na testa, depois pra boca e fecha no peito).
 A nossa voz aguda, quase em destaque,
 entre as vozes roucas, estridentes, tímidas ou tremulas.
 Aquele coral que pegava quarteirão de final da tarde,
com o passar das bolinhas de um colar opaco,
onde a alegria era botá-lo no pescoço indevidamente.
 Era também olhar a língua do mulherio
 que se enrolava rápido com o coro repetitivo.
 Mas nada superava a tão aguardada paçoca
 feita na hora pela "tia Cida"...
Depois disso,
 chispa pra rua, com o copinho cheio de doce na mão
 e bora brincar de esconde-esconde, polícia e ladrão, jeans, mamãe polenta,
futebol quebra-canela, taco, bobinho, estrela novacela, 
picuinhas e blá-blá-blá...
Até que o desentendimento saudável da molecada
 fizesse todos correrem para dentro  de suas casas,
pensando no dia seguinte.

E que venha o dia de São Cosme e Damião.


(Imagem: Dalva de Barros)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Variante

 Verdade.
 Eu não queria te perder
 e até chorei na manhã seguinte
 após um sonho maluco.

Se um dia eu precisar partir,
 recolho os poucos livros que comprei.

 São estes os únicos atos que fiz
 pensando somente
                                                              em mim.