quarta-feira, 13 de julho de 2011

O ANDARILHO

Parada, à espera de qualquer coisa que eleve o ego.
A supervalorização do egoísmo inato à natureza humana.
Nesta manhã,vozes melodiosamente ressoam cantigas de viola.

Ao olhar pela janela...
Um homem apessoado com uma tesoura na mão,ao seu lado um morador de rua com os pés estendidos no seu colo.
Com vergonha, fecho as cortinas.
A música dos dois senhores encobrem o som do louvor da igreja protestante ao lado.
Este foi um encontro remoto.
A distância da teoria com a prática numa dissonância perfeita e muito mais perturbadora do que qualquer leitura persuadida por um bom escritor.
Do meu quarto, escuto a prosa dos dois recém-amigos, a cantoria tornara-se cada vez mais calorosa, até que, de saída, observo timidamente aquela relação distante e ao mesmo tempo próxima.
Chego ao final da conversa.
Nesta saída, o visitante com a tesoura lamenta frustrado, cortar as unhas do andarilho foi um fracasso... Aquele ato lhe exigia ainda mais sacrifícios...
Já o andarilho em agradecimentos inicia uma nova canção, a sua manifestação amistosa e cheia de alegria desperta enrubescimentos instantâneos como a raiz de uma árvore saltando do cimento da calçada.
Agora só me lembro disto...
- Tu tens um violão? Sou músico, compositor, corretor aposentado e vendia o pior tipo de mercadoria do mundo.
- Qual mercadoria? Respondi, sinceramente com um nó na garganta, para o mendigo.
- Livros, e hoje aguardo a minha aposentadoria.


Esta conversa se encerrou com o olhar turvo de uma minoria que nos embala a fechar os olhos para a realidade no pertencimento insano ao senso de moralidade e justiça no que se tem por Humanidade.
                                                                                                                                                                      

      “ ..descobrimos que não éramos viris o bastante, nem bravos o suficiente para praticar uma ação generosa quando havia uma chance de que ela nos trouxesse problemas. Nenhum de nós três confessava essa covardia aos outros, apenas fazíamos o que todo mundo teria feito, calar a boca e mudar de assunto.” Mark Twain

Inspirações...
este texto descreve um fato do mês de julho, enriquecido hoje, após a leitura de, “O Estranho Misterioso”, sensações estranhas de como este livro foi escrito com tanta perfeição.


2 comentários:

  1. Poorrra Criiss. que texto foda..
    Mas a pergunta que nao quer calar...
    vai transformar isso em letra quando?

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  2. Concordo com o camarada acima, Cris!!!
    Paguei mó pau pro texto, li e reli algumas vezes!!!!
    Muito bom os textos!
    =D

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