segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Santo remédio



Todo final de tarde, ela senta na calçada e espera.

 Espera como um cão quando está com fome.

 Espera ridiculamente sem graça com todos os seus atributos desejáveis.

 Finalmente, se depara com o hospedeiro.

Este sai, cansado da labuta e seus causos sem sucesso.

Ela pula indiscretamente em comemoração a tão chegada hora.

Num flerte tosco, insiste numa reciprocidade,

luta contra a natureza de invadir.

Notória paciência é levada até o local residente do hospedeiro.

Este se entrega a um sofá e solta lamúrias, um saco.

Momento fatigante.
É hora de acabar logo com isto...

Pelos olhos,
Pela mente,
Pela boca,
Pelo corpo todo.
A invasão foi pura Arte.

E o hospedeiro? 

- Grudado com ela, virou gente!


 

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