Tem tempo que não cabe numa colher de chá pra adoçar o caos que é ficar em casa a sofrer de tonturas ou vertigens. Tem nuvem que não passa na argola do dedo de deus quando resolve nublar toda e qualquer expectativa de se caminhar sozinho. Tem vento que não quebra um galho seco revoltado com a urina do cachorro que cheio de tédio não encontra um território novo para demarcar e chamar de seu. Tem ponteiro que roda sem parar pregado numa parede e nem assim dá o real convencimento de que tudo passou, já foi. Tem muito cabelo que adora cair da cabeça. Tem muita pinta no corpo que não dita uma vírgula do que se é. Tem muita dor pra pouca articulação. Tem muita barriga pra pouca cintura e má digestão.Tem muita voz pra pouca mão e há quem se sinta injustiçado pelo tempo que se perde. Tem mil trejeitos que não seguram uma sílaba do pensamento que travou na garganta, as cordas estão cheias de calo. Tem criança que berra sem saber qual é a dor. Tem barulho que não dá conta do silêncio. Tem tanta bagunça neste texto que não se sabe do destinatário e nem do remetente.Tem panos e mangas pra desenrolar uma tarde cheia de tanto pra fazer. Tem muita coisa que gira e não sai do lugar. O meu corpo está refém. Eu só queria girar de verdade e colocar estes demônios pra fora. Pronto, vomitei.
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