domingo, 16 de setembro de 2012

Sinto o tempo passar, mas não sei que horas são.


    Sentada, meus pés procuram no escuro o par de chinelos às avessas, as mãos apalpam a parede na procura do interruptor, os olhos não estão morteiros (caminham sobre o breu e identificam um pequeno foco de luz da janela). Bem, assim foi esta noite. A insônia surgiu como amiga íntima reavivando pensamentos adormecidos.
   Com passos inconscientes e lentos caminho para o próximo cômodo, puxo a cadeira e observo o céu pela porta de vidro. A madrugada e sua calmaria segue o fluxo do movimento dos dias sem pedir a permissão para os coadjuvantes deste planeta. A mente parece se equilibrar no som do ponteiro que gira no relógio quebrado. Sempre me esqueço de tirá-lo da parede. Apesar do defeito, ele se encontra onipresente em qualquer piscar de vento, no ronco da barriga, na lágrima que escorre, nas cócegas e desejos, na cobrança, no nó entalado na garganta, no controle obrigatório fincado na chegada e saída pela porta principal da casa alugada e trava no sorriso desprendido das horas.
   - Nega, vem cá , por favor!Não consigo dormir também...
   Volto pra cama, abraço a pessoa amada e durmo.

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