Sentada, meus pés procuram no
escuro o par de chinelos às avessas, as mãos apalpam a parede na procura do
interruptor, os olhos não estão morteiros (caminham sobre o breu e identificam
um pequeno foco de luz da janela). Bem, assim foi esta noite. A insônia surgiu
como amiga íntima reavivando pensamentos adormecidos.
Com passos inconscientes e lentos
caminho para o próximo cômodo, puxo a cadeira e observo o céu pela porta de
vidro. A madrugada e sua calmaria segue o fluxo do movimento dos dias sem pedir
a permissão para os coadjuvantes deste planeta. A mente parece se equilibrar no
som do ponteiro que gira no relógio quebrado. Sempre me esqueço de tirá-lo da
parede. Apesar do defeito, ele se encontra onipresente em qualquer piscar de
vento, no ronco da barriga, na lágrima que escorre, nas cócegas e desejos, na
cobrança, no nó entalado na garganta, no controle obrigatório fincado na
chegada e saída pela porta principal da casa alugada e trava no sorriso
desprendido das horas.
- Nega, vem cá , por favor!Não
consigo dormir também...
Volto pra cama, abraço a pessoa amada e durmo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário