Eles caminham pelas rochas da praia. A paisagem é muito
bonita. Eles riem, pulam, fazem piadas fora de momento. Pedro entra na água. Camila
não arrisca, o sol está fraco, tem medo de sentir frio e não conseguir se
esquentar. Pedro não entende, acha isto bobo, e vai só.
Camila o admira de longe, rabisca o chão de areia, olha o
cachorrinho correndo atrás de um pedaço de pau que é lançado ao vento e olha
para o céu turvo. Pedro sai da água todo arrepiado e decide correr beirando o
mar para se esquentar. Camila queria se levantar e correr atrás de Pedro, só Deus
sabe o que te fez ficar.
Na volta, eles passam pelo mesmo caminho da ida, o que era
subida virou descida. Camila não consegue pular de uma pedra. A sua
perna treme e sua voz tranquila vira histeria. Pedro não acredita no que vê,
automaticamente lança uma mensagem irônica pra estimular a moça que não suporta
depreciações de outrem.
Pula! Pedro diz.
Eu não consigo, já disse, tenho
medo. Responde Camila.
Camila imagina em versões rápidas
seu pé torcendo entre outras coisas ruins. Ao mesmo tempo procura outra saída,
analisando o espaço.
Pedro perde a paciência.
Camila se apoia na pedra ao lado,
tenta chorar por causa da vergonha que sentiu, mas também não consegue.
A maré está alta. Os dois observam a onda que bate na pedra e arrasta a areia mudando a geografia daquele lugar.
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