segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Pequenos desvios

imagem:Victor Hugo Porto/mulheres
Rosane teve um surto ontem a noite. Cismou que queria limpar a casa. Fui dormir. No dia seguinte, a encontrei estirada no chão da sala. Ainda suspirava. Era uma crise e quando cheguei perto de seu rosto pálido a fúria de seu suspiro rouco tomou conta do espaço. Os livros cheiravam a lustra-móvel. O chão frio demarcado por suas mãos empoeiradas. A chacoalhei como um lençol que acabara de ser retirado do varal. Ela retribuíra o corpo entregue à bagunça neurológica com olhar atônito. Desisti. Larguei mão. Na cozinha preparava o café solitário, perdido, sem o pote de açúcar. Tomei o amargo. Saio pra rua, recolho o jornal e descanso sentado no degrau da entrada da casa. Suas mãos abraçam e libertam meus olhos como pisca-pisca em noite de natal, fazendo vertigens com a visão que tenho da rua...

Ela não aguenta qualquer calmaria.







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