sexta-feira, 30 de maio de 2014

Texto sem memória

O meu corpo controla o surto do que sou.
As horas param o tempo do meu olhar.
O barulho, sempre o barulho, beliscam os nervos.
E eu acordo do sonho de olhos abertos.
Me observo rodeada de crianças
que são por elas o que quiserem ser,
apesar de esperarem deste corpo um consentimento
leve e risonho com o até logo.
Espero não gritar mais.
Preciso correr, queimar a tensão...
pra não jogar tudo pro alto
e levar uma pancada na testa
com a queda de tudo que lancei a mão.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

De trás pra frente

Quando o balão estourou
 a menina desatou a chorar.
Alguém lhe diz: 
tudo isto por causa de uma bola de ar?
Em prantos ela responde:
 é muito triste se encantar por um volume flutuante
 que no final se resume no vazio...
De nada adiantou a hipnoterapia.
Ela distingue bem:
 o real do ilusório;
 e o pesadelo mesclado com um sonho
 da bela fotografia exposta na parede.

domingo, 25 de novembro de 2012

Areia Movediça


        Eles caminham pelas rochas da praia. A paisagem é muito bonita. Eles riem, pulam, fazem piadas fora de momento. Pedro entra na água. Camila não arrisca, o sol está fraco, tem medo de sentir frio e não conseguir se esquentar. Pedro não entende, acha isto bobo, e vai só.
      Camila o admira de longe, rabisca o chão de areia, olha o cachorrinho correndo atrás de um pedaço de pau que é lançado ao vento e olha para o céu turvo. Pedro sai da água todo arrepiado e decide correr beirando o mar para se esquentar. Camila queria se levantar e correr atrás de Pedro, só Deus sabe o que te fez ficar.
     Na volta, eles passam pelo mesmo caminho da ida, o que era subida virou descida. Camila não consegue pular de uma pedra. A sua perna treme e sua voz tranquila vira histeria. Pedro não acredita no que vê, automaticamente lança uma mensagem irônica pra estimular a moça que não suporta depreciações de outrem.
      Pula! Pedro diz.
      Eu não consigo, já disse, tenho medo. Responde Camila.
    Camila imagina em versões rápidas seu pé torcendo entre outras coisas ruins. Ao mesmo tempo procura outra saída, analisando o espaço.
    Pedro perde a paciência.
   Camila se apoia na pedra ao lado, tenta chorar por causa da vergonha que sentiu, mas também não consegue.
    A maré está alta. Os dois observam a onda que bate na pedra e arrasta a areia mudando a geografia daquele lugar.